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sábado, 20 de junho de 2015

2 anos de Nô

Faz hoje 2 anos em que apareceste nas nossas vidas. Bem mais cedo do que queríamos, mas acredito que foi por tua vontade.
Quiseste vir ao nosso mundo tão cedo e ficar tão pouco tempo porque sentistes que não era preciso mais para mudar as nossas vidas de forma radical.

2 anos passaram e continuamos juntos. Mais juntos que nunca. E agora com o teu maninho Leonardo que vai beneficiar de todas as mudanças que operamos na nossas vidas. A todos os níveis.


Só uma coisa não muda: o Amor que sinto por ele é o mesmo que sinto por ti.

Obrigado Nô por seres assim.
Não te trocaria por nada.

Beijos do teu pai que te ama.

domingo, 3 de maio de 2015

Dia da Mãe, Dia de Balões, Dia de encontros e reencontros

Olá pessoal!

Já um pouco tarde no dia de hoje - Dia de Mãe, não queria deixar passar a oportunidade de me mostrar profundamente agradecido a duas mulheres: a minha mãe e a Ana.
Duas mães de mão cheia que me ajudam a definir. Que fazem aquilo que sou hoje.
Obrigado!






Hoje foi também celebrado o Dia Mundial do Pai Prematuro e ontem, em conjunto com o grupo "De Pais Para Pais" e XXS entregamos uns miminhos de chocolate gentilmente cedidos pela Nestlé na UCIN do Hospital de Santa Maria aos pais que tinham os seus bebés internados. Foi uma excelente manhã/inicio da tarde com aquele pais. Muito obrigado para eles. Enchem-me o coração.





E foi hoje também o dia para lançar os balões pelas nossas estrelinhas. E este ano, o tempo chuvoso, não demoveu as pessoas que quiseram desta forma se juntar para relembrar os seus anjos com o lançamento de um balão por cada um. Foi mais um momento lindo, como foi no ano passado. Desta vez com mais gente.
E foi tão bom reencontrar pessoas que já não via há algum tempo, muitas delas já com os seus pequenos ao colo. O nosso ainda está na barriga da mamã. Com 33 semanas e 1 dia ainda tem tempo!





Não podia deixar de agradecer à mãe que fez questão de nos abordar para dizer o quanto este singelo blog a ajudou e à familia. Não poderia ter maior elogio e incentivo do que este. De coração cheio!

Abraços!
AR

terça-feira, 28 de abril de 2015

Anjinho Waldorf (ou uma recordação da mana) + Updates

Olá pessoal!

Mais uma eco passada com sucesso (desta vez a das 32 semanas) e mais uma prendinha para o Leonardo. Tem sido assim sempre que vamos às ecos e consultas. Não nos importamos nada de "gastar" dinheiro se as noticias forem boas.

E desta vez foram. Neste momento o Leonardo, com 32 semanas e 3 dias, tem um peso estimado de 2050gr, tendo estabilizado no percentil 60. Já apresenta movimentos respiratórios e aparentemente já tem muito cabelo. Admito que aqui não entendi onde raio estava o cabelo, mas as médicas (a obstetra e a mãe) foram perentórias. :P

E o que compramos hoje?

Aproveitando que a loja da Cristina Siopa é bem pertinho da MAC, demos lá um salto para ver in loco muitas das coisas fixes que já víamos no site.
E uma das coisas que já tínhamos visto era um boneco da mítica Käthe Kruse. Um Nickibaby, feito à mão, em material 100% orgânico, e que, por representar um anjinho, espero que represente para o Leonardo uma lembrança da sua maninha Nô.


Esta é a primeira peça aconselhada pela pedagogia Waldorf para o Leonardo. Mais virão. :) Talvez na próxima consulta/eco. :)

Aproveitem para visitar o site da Cristina Siopa mas se tiverem oportunidade visitem a loja física. É de ficar apaixonado. :)

Abraços a tod@s!
AF

sábado, 14 de março de 2015

26 semanas (parte 2)

Olá pessoal!



Só para deixar a nota que hoje, dia 14/03, o nosso Leonardo faz 26 semanas de gestação!
Já passou a maninha que nasceu com 26 semanas e 4 horas. :)

Espero que assim continue mais um tempo valente.

Segunda feira há mais uma eco e análise. Estou confiante.

Abraços e até segunda!

AR

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Uma história de outra Nô

Olá pessoal!

Sim, eu sei que tenho deixado isto um pouco ao abandono mas tenho sentido pouca inspiração para escrever. Sinto que já quase disse tudo o que conseguia expor por palavras. Tudo o resto que sinto (e é imenso) não consigo explicar. Não tenho arte para tal e duvido que alguém tenha.

Mas escrevo-vos hoje porque partilharam comigo mais uma história. Outra Nô. Desta vez da mãe Tainá Ornelas.
O que é incrível neste texto (para além de estar incrivelmente bem escrito) é a forma como me revejo em tudo o que ela escreveu.

"The Angriest Man in Brooklyn

Ontem, o papá e mamã armaram-se em casal de meia idade, ou então em senhoras de meia idade, e foram ao cinema. 

Fomos ver o último filme do Robin Williams... E fomos justamente por isso, não imaginávamos que era um filme tão bom...
A história é simples, e até um pouco "batida", mas a verdade é que ninguém pensa muito no assunto, até se ver dentro do mesmo problema, até se ver de frente com a morte.
A morte, vamos lá ver... Não é assim tão má. Tudo depende de como olhamos para ela. Uma morte prematura, num bebé como tu, numa criança, ou mesmo num jovem adulto, choca sempre... Em uma pessoa mais velha, é algo mais aceitável, "porque afinal a pessoa já viveu toda uma vida"... Quem fica, quer numa morte prematura, quer de uma pessoa idosa, sofre sempre, disso não temos dúvidas.
Boa parte das pessoas não sabe quando, ou como irá morrer, o que é extremamente positivo. Porque se soubéssemos, ia ser uma loucura pegada. Mas quando acontecem situações como a do filme... Um aneurisma, inoperável. Não sabes quando vais morrer, apenas que vais, e em breve. Faz-te parar. Paras para repensar toda a tua vida, no que tens sido, no que de facto é importante, no que queres fazer nestes últimos tempos que te restam aqui deste lado. É uma chapada da vida. Porque a nós?! Ninguém sabe responder. Mas se soubermos pegar neste limão azedo e fazer uma limonada... Podemos aproveitar para tentar consertar os nossos erros. Ou então minimizar as consequências. Foi o que o personagem principal fez.
Trazendo isso para a nossa história, não fui eu que morri, literalmente..
Mas levaste parte de mim. Por tanto, é como se eu tivesse morrido também. Fui confrontada com a tal morte... E descobri que, afinal, não é tão má assim. Tenho saudades tuas, muitas, dava tudo para ter-te aqui comigo, mas seria ingrata em não reconhecer que a tua morte, a tua partida, fez de mim uma pessoa melhor. Porque cheguei ao ponto em que tive que rever as minhas prioridades, o que de facto queria para mim, se eu era de facto quem eu era antes de partires... E estou a tornar-me uma pessoa melhor. Dói, como dói... Mas não há vitória sem luta, e às vezes, às vezes os ensinamentos são assim, duros... A boa notícia, é que nunca mais nos esquecemos :)
Ter sido apanhada nesta "rasteira da vida", foi a pior, e ao mesmo tempo, a melhor coisa que já me aconteceu... Como é que sei isso?! Não sei, ainda estou a aprender e tenho um longo caminho pela frente. Sei que vão haver momentos em que vou ler isto e vou dizer que estava louca quando o escrevi... Vai doer, vai continuar a doer, sempre... Mas com esta dor também vou aprender, vou crescer... E vou ser alguém melhor. Por ti. Por mim. Pelo papá. Pelo teu mano que ainda virá.
Assim, quando chegar a minha hora de partir e ir ter contigo, vou poder fechar os olhos e descansar... E ter a certeza de que dei o meu melhor.

Amo-te Pipocas!... <3

Beijinho da Mãe <3"




Resta dizer que a Pipocas deixou de ter batimentos cardíacos às 40 semanas e 2 dias. Não consigo conceber, quanto mais imaginar, a dor...

Eu também gosto muito de ti, Pipocas. :) E sei que deves sentir imenso orgulho nos teus Pais.

Abraços a tod@s.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

The overwhelming sense of emptiness (a enorme sensação de vazio)


Dou por mim, muitas vezes a pensar nisso. O que falta na minha vida. O que já não me desafia. O que me aborrece. O que preciso de fazer para passar os dias. E como substituir este vazio que sinto.
Não é um vazio literal. É algo mais doloroso. Mais, digamos, real. A sensação que alguém terá quando é atraído para um abismo. Para um mergulho sem paraquedas.
Passado tanto tempo (é assim tanto tempo?) ainda imagino a minha vida com a minha filha aqui, nos meus braços. E não consigo imaginar para além de uma ideia. De um sonho. Que morreu com ela. E do qual faço o luto.
Procuro inspiração noutros locais. Noutras experiências. Mas sei que procurar isso para substituir o vazio é apenas um placebo. E se o doente souber que é um placebo, o efeito é nulo.
Talvez ter outra filha ajude? Talvez. Mas nunca será a minha primeira filha. A minha Nô, neste momento é um conceito dentro de mim. Na minha cabeça. No meu coração.
Passo muito tempo a imaginar como seria a minha filha com 1 ano e poucos meses. Como seria o seu cabelo. Como seria o seu feitio. Como seriam os seus olhos. Como seriam as minhas rotinas. Buscar à escola. Provavelmente nem teriamos mudado de casa.
Mas isso pertence a um Universo paralelo. Ela existe em carne e osso nesse universo. Neste é um ser superior. Pelo menos para mim é. Porque só os seres superiores conseguem ter um ascendente tão grande sobre quem caminha na Terra. Pode não ser para muitos de vós. Mas é para mim. E é isso que importa, na realidade.

Depois penso que tudo isto é duro. Mas mais duro é deixar me levar pela dureza da coisa. E se deixo que a coisa seja dura, mais dura ela se torna.
E eu não quero que seja mais duro do que já é. Nem ela queria.

Dizem que não controlamos o que nos acontece. Apenas controlamos como reagimos às coisas.
Diria que não me tenho saído mal.


PS: muitos não compreenderão este post. Não esperava outra coisa. Mas precisava de desabafar.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A minha outra Nô...

Acompanhei-te ao longe.
Não te conheci pessoalmente mas era impossível ficar indiferente.
Fui torcendo por ti e quase que podia sentir o que sofrias. Mas ninguem sabe o que é sofrer o que tu sofreste...

Digo sofrias porque já não sofres mais. Agora ficam por cá quem te era mais chegado. Tristes. Saudosos. 
Sim. É isso que vai acontecer nos tempos mais próximos. 
Mas o tempo ajuda a revelar as coisas boas. Os ensinamentos. O teu sorriso. A maneira como dizias “Pedrocas". O Amor incondicional.

Não é a vida que é injusta. É a morte.

A vida é aquilo que fazemos dela. E tu foste um raio de luz. Um anjo na Terra.
Agora és um anjo no ceu. E a estrela dos teus pais.

Até um dia, minha “outra” Nô.

PS para a minha Nô: cuida muito bem da tua homonima. E ajuda-a a transmitir mensagens cá para baixo como tu tão bem sabes fazer. 
Amo-te, princesa. Sinto muita falta do teu olhar.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Um Ano Que Morreste

Faz hoje um ano que a Nô nos deixou.
E o dia não foi diferente dos outros.

Não passa um dia que não me lembre do 26/06/2013.
O adormecer angustiado no dia antes. Acordar sobressaltado com o toque de chamada do telemóvel. Correr para o Santa Maria com um nó no estômago. Ser recebido pela médica antes de entrar na UCIN. Olhar para ti e depois para as máquinas. E depois para ti. E depois para o céu. Não saber o que fazer. O sentimento duro e cruel da impotência.
Despedir-me. Baptizar-te. Dizer "se quiseres ir, vai, que nós ficamos bem".
Os teus olhos a olhar para mim. Ao colo da tua mãe.

Os teus olhos. Que eram como os meus...

Afinal o dia acabou por ser diferente dos outros. Escrever isto dói. Dói quase como quando me ajoelhei na UCIN e dei murros no chão enquanto perguntava "Porquê?" aos gritos.

Só quem passa por isto sabe. E peço que mais ninguém venha a saber.
Mas é impossível. Mais gente vai sofrer. Mais gente vai ter "azar". Para esses, saibam que não estão sozinhos. Estamos aqui nós. Mas mais importante, está um anjo no céu.

Há um ano pedi que abraçassem quem amam. Porque tudo é perene nesta Terra.
Façam o mesmo hoje, por favor. Não por mim. Não pela Nô. Mas por vocês.

Sejam felizes.