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terça-feira, 17 de junho de 2014
(Tentativa de) Manual de apoio a pais que perderam filhos - #6
Nunca imporem a vossa presença.
Sabemos que a ideia é tentar ajudar. Mas logo após a morte, nunca telefonem sem antes tentar perceber se estamos dispostos a atender. Tentem antes uma SMS. Não nos obriga a uma resposta imediata. Não apareçam por casa sem perceberem se isso bom para os pais.
Não há formulas mágicas, e cada pessoa é diferente. Mas se há coisa que posso quase generalizar é que os pais, nos momentos após a morte, menos querem é responder às típicas perguntas vezes e vezes sem conta.
O ideal seria ter alguém muito chegado que sirva de intermediário.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
(Tentativa de) Manual de apoio a pais que perderam filhos - #5
Lembrem-se das datas "aniversário".
A semana. O mês. O ano. Liguem a perguntar como estão. Levem os pais a jantar fora. Ou participem nas actividades que estes pais tiverem programado para relembrar.
Por falar nisso, a Associação Projecto Artemis está a organizar um evento para o dia 4 de Maio nas celebrações do Dia da Mãe com lançamentos de balões em homenagem aos nossos anjinhos.
Em Lisboa este evento será na Praça do Império pelas 16:00.
Convido desde já os meus amigos a visitarem-nos por lá.
Abraços e beijos.
domingo, 6 de abril de 2014
(Tentativa de) Manual de apoio a pais que perderam filhos - #4
Os pais precisam de espaço. Mas precisam de sentir que estão lá.
A reação dos pais varia demasiado para haver formulas mágicas. Há pais que preferem estar sozinhos. Há quem prefira estar com a família. Há quem prefira ficar em casa (onde se acumulam coisas por fazer...). Há quem prefira sair de casa (ir espairecer). Seja qual for a decisão dos pais, mantenham uma vigilância afastada mas sempre prontos a agir.
Esta é talvez a tarefa mais complicada de quem tem de lidar com os pais e a sua dor, porque, normalmente, acontece logo após a morte.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
(Tentativa de) Manual de apoio a pais que perderam filhos - #3
Nunca, mas nunca, insinuar ou inferir a culpa de alguém pelo que aconteceu.
Das duas uma: ou achamos que a culpa é nossa (e queremos morrer com o sentimento de culpa) ou a culpa é de outro (e queremos acabar com a vida dessa outra pessoa). Ás vezes as coisas acontecem porquê têm de acontecer. E mesmo que haja um culpado, nunca alimentem esse fogo!
sábado, 29 de março de 2014
(Tentativa de) Manual de apoio a pais que perderam filhos - #2
Dizer "Vá... não falem disso agora..."
Os pais precisam de desabafar. E os que nos ouvem têm de ter um pouco de paciência quando falamos acerca dos nossos filhos. Alguma vez imaginaram um psicólogo dizer algo do género? Não pois, não? Pois vocês, quem nós escolhemos para falar, são os nossos melhores psicólogos. Acreditem que só partilhamos o que sentimos com quem achamos que nos pode dar um apoio.
E esse apoio pode passar apenas por ouvir. Só isso. Experimentem. :)
Já sabemos que não vão entender realmente o que significa a experiência (e esperamos que nunca venham a ter noção!!) mas "recusar" ouvir os pais é deixar-nos sozinhos nos nossos pensamentos...
Sabem quando as palavras parecem perder peso dentro de nós quando as verbalizamos? Pois, é isso. :)
sexta-feira, 28 de março de 2014
(Tentativa de) Manual de apoio a pais que perderam filhos - #1
Olá pessoal.
Estive a rever a entrevista no "Boa Tarde" (e não é de todo uma questão de egocentrismo, antes pelo contrário - sou o meu maior crítico) e uma das coisas que me saltou à vista foi a algo que é relativamente recorrente quando falamos com outros pais que perderam crianças - o que as pessoas dizem bem intencionadas mas que acabam por melindrar os pais.
Para isso vou precisar da vossa ajuda a completar o "manual" mas lembro-me da varias situações.
A primeira é a que foi abordada na entrevista.
Dizer "Vocês são novos! Vão ter outros filhos!"
Esta é A clássica. Percebemos as intenções mas a criança que há de vir nunca irá substituir a que morreu. Pior: parece querer desvalorizar o filho que partiu. Em alternativa digam "Vocês são novos! Vão ter mais filhos!"
Mais em breve...
Participem!
Abraços e beijos,
André
Estive a rever a entrevista no "Boa Tarde" (e não é de todo uma questão de egocentrismo, antes pelo contrário - sou o meu maior crítico) e uma das coisas que me saltou à vista foi a algo que é relativamente recorrente quando falamos com outros pais que perderam crianças - o que as pessoas dizem bem intencionadas mas que acabam por melindrar os pais.
Para isso vou precisar da vossa ajuda a completar o "manual" mas lembro-me da varias situações.
A primeira é a que foi abordada na entrevista.
Dizer "Vocês são novos! Vão ter outros filhos!"
Esta é A clássica. Percebemos as intenções mas a criança que há de vir nunca irá substituir a que morreu. Pior: parece querer desvalorizar o filho que partiu. Em alternativa digam "Vocês são novos! Vão ter mais filhos!"
Mais em breve...
Participem!
Abraços e beijos,
André
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