domingo, 16 de novembro de 2014

Gui

Em tempos li que os seres perfeitos são aqueles que vêm à Terra só para nos ensinar.
São tão perfeitos que não têm nada a aprender.

E por muita vontade que tenhamos que fiquem connosco mais tempo, o seu papel no Mundo fica completo muito rapidamente.
Demasiado...

Que os pais da Gui tenham força. Nos próximos dias nada vai fazer sentido. Mas o tempo ajuda... Ajuda sempre.

Margarida: mais uma guerreira que passou por nós e muda o Mundo.

Até um dia.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Dia Nacional para a Sensibilização da Perda Gestacional e a Alice

Hoje (dia 15/10/2014) é o dia que a Associção Projecto Artémis escolheu para relembrar e sensibilizar para a problemática da Perda Gestacional e tudo o que isso acarreta.
Aproveito para pedir-vos que assinem a petição que a mesma associação criou para que este dia passe oficialmente a "Dia Nacional para a Sensibilização da Perda Gestacional" aqui - http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT74997



Mas tão o mais importante, trago-vos a primeira carta que recebi de uma mãe que perdeu a sua bebé. No caso, trago-vos a história da Alice:

"Carta à Alice

Hoje farias 3 meses...
... não sei se estás no Céu, porque infelizmente tenho dificuldade em acreditar que ele existe..
...mas aninhada na Terra que eu pisei hoje, estás com certeza, porque foi lá que te deixei e é lá que te visito.
A dor tem crescido, ao contrário do que todos me dizem, não me sinto apaziguada, sinto-me sufocada. Quando no escuro permaneço, ouço o meu coraçao a gritar a falta que me fazes e a dor é indescritível.
Sim, é verdade que estás na minha vida, no meu coração e na minha memória mas há dias que isso não chega! Há dias que o que sobrou não chega!
Todos os dias tento ser honesta comigo própria e aceitar que te perdi, que não consigo controlar tudo. A imprevisibilidade tambem acontece no Nascer e contra tudo o que é natural, é possível morrer e nascer.
Contigo partiram tambem alguns dos motivos para ser feliz...sou menos feliz? Sou! Consigo viver com isso? Consigo! Mas é muito difícil!!! É tão difícil!!!!!!! Esta vida sem a Alice é menos feliz, há um vazio impreenchível, os sorrisos são fugazes e não anulam a tristeza de ter visto partir o ser humano que mais amei.
Se estiveres em mais algum sítio, que não seja a Terra que te acolheu, quero que saibas que és e sempre serás a minha filha Alice."


Obrigado pelo mail Patrícia.

Tenho a certeza que a Alice está muito orgulhosa da mãe que escolheu.

Beijos e abraços,
AR

PS: Se alguém quiser escrever (mesmo que não deseje que a história seja publicada) escrevam para andre.silva.rodrigues[at]gmail.com

terça-feira, 23 de setembro de 2014

The overwhelming sense of emptiness (a enorme sensação de vazio)


Dou por mim, muitas vezes a pensar nisso. O que falta na minha vida. O que já não me desafia. O que me aborrece. O que preciso de fazer para passar os dias. E como substituir este vazio que sinto.
Não é um vazio literal. É algo mais doloroso. Mais, digamos, real. A sensação que alguém terá quando é atraído para um abismo. Para um mergulho sem paraquedas.
Passado tanto tempo (é assim tanto tempo?) ainda imagino a minha vida com a minha filha aqui, nos meus braços. E não consigo imaginar para além de uma ideia. De um sonho. Que morreu com ela. E do qual faço o luto.
Procuro inspiração noutros locais. Noutras experiências. Mas sei que procurar isso para substituir o vazio é apenas um placebo. E se o doente souber que é um placebo, o efeito é nulo.
Talvez ter outra filha ajude? Talvez. Mas nunca será a minha primeira filha. A minha Nô, neste momento é um conceito dentro de mim. Na minha cabeça. No meu coração.
Passo muito tempo a imaginar como seria a minha filha com 1 ano e poucos meses. Como seria o seu cabelo. Como seria o seu feitio. Como seriam os seus olhos. Como seriam as minhas rotinas. Buscar à escola. Provavelmente nem teriamos mudado de casa.
Mas isso pertence a um Universo paralelo. Ela existe em carne e osso nesse universo. Neste é um ser superior. Pelo menos para mim é. Porque só os seres superiores conseguem ter um ascendente tão grande sobre quem caminha na Terra. Pode não ser para muitos de vós. Mas é para mim. E é isso que importa, na realidade.

Depois penso que tudo isto é duro. Mas mais duro é deixar me levar pela dureza da coisa. E se deixo que a coisa seja dura, mais dura ela se torna.
E eu não quero que seja mais duro do que já é. Nem ela queria.

Dizem que não controlamos o que nos acontece. Apenas controlamos como reagimos às coisas.
Diria que não me tenho saído mal.


PS: muitos não compreenderão este post. Não esperava outra coisa. Mas precisava de desabafar.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A minha outra Nô...

Acompanhei-te ao longe.
Não te conheci pessoalmente mas era impossível ficar indiferente.
Fui torcendo por ti e quase que podia sentir o que sofrias. Mas ninguem sabe o que é sofrer o que tu sofreste...

Digo sofrias porque já não sofres mais. Agora ficam por cá quem te era mais chegado. Tristes. Saudosos. 
Sim. É isso que vai acontecer nos tempos mais próximos. 
Mas o tempo ajuda a revelar as coisas boas. Os ensinamentos. O teu sorriso. A maneira como dizias “Pedrocas". O Amor incondicional.

Não é a vida que é injusta. É a morte.

A vida é aquilo que fazemos dela. E tu foste um raio de luz. Um anjo na Terra.
Agora és um anjo no ceu. E a estrela dos teus pais.

Até um dia, minha “outra” Nô.

PS para a minha Nô: cuida muito bem da tua homonima. E ajuda-a a transmitir mensagens cá para baixo como tu tão bem sabes fazer. 
Amo-te, princesa. Sinto muita falta do teu olhar.

domingo, 10 de agosto de 2014

"Tem filhos?"

No outro dia, num contexto profissional, fizeram-me esta pergunta.

Talvez por achar que não era o sitio ou a hora e porque não me apetecia contar a história, respondi "Não".

Imediatamente senti-me mal. Pessimo.

Tanto que nunca contei a ninguem.

Desculpa Nô... :(

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Contributos e Testemunhos

Olá pessoal!

Surgiu a ideia à Ana que este meu, nosso, vosso blog seja aberto a mais gente.
Tantas e tantas pessoas escrevem nos comentários no blog e no facebook... Que tal escreverem publicamente, que tal terem mais destaque com um post próprio?

Fica o desafio: Quem quer escrever alguma coisa? Os vossos contributos e testemunhos?
Pensando bem não é assim um grande desafio... Aqui toda a gente se entente e compreende. :)

E não se preocupem com a forma de escrever! Eu não tenho assim tanta preocupação. :)


Enviem os vossos textos para diariodeumfuturopai@gmail.com. 

E desde já o meu muito obrigado a todos.

PS: peço desculpa pelo meu desaparecimento momentâneo. Podia arranjar uma desculpa mas não tenho desculpa nenhuma para além de ter me sentido pouco inspirado para o blog. São fases...

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Um Ano Que Morreste

Faz hoje um ano que a Nô nos deixou.
E o dia não foi diferente dos outros.

Não passa um dia que não me lembre do 26/06/2013.
O adormecer angustiado no dia antes. Acordar sobressaltado com o toque de chamada do telemóvel. Correr para o Santa Maria com um nó no estômago. Ser recebido pela médica antes de entrar na UCIN. Olhar para ti e depois para as máquinas. E depois para ti. E depois para o céu. Não saber o que fazer. O sentimento duro e cruel da impotência.
Despedir-me. Baptizar-te. Dizer "se quiseres ir, vai, que nós ficamos bem".
Os teus olhos a olhar para mim. Ao colo da tua mãe.

Os teus olhos. Que eram como os meus...

Afinal o dia acabou por ser diferente dos outros. Escrever isto dói. Dói quase como quando me ajoelhei na UCIN e dei murros no chão enquanto perguntava "Porquê?" aos gritos.

Só quem passa por isto sabe. E peço que mais ninguém venha a saber.
Mas é impossível. Mais gente vai sofrer. Mais gente vai ter "azar". Para esses, saibam que não estão sozinhos. Estamos aqui nós. Mas mais importante, está um anjo no céu.

Há um ano pedi que abraçassem quem amam. Porque tudo é perene nesta Terra.
Façam o mesmo hoje, por favor. Não por mim. Não pela Nô. Mas por vocês.

Sejam felizes.