sexta-feira, 12 de julho de 2013

Musicas do papá - nº1


Olá pessoal.

Tinha decidido escrever algo hoje mas estou um bocadinho cansado. Ter regressado ao trabalho e ao horário "normal" de acordar cedo tem sido bom mas também tem as suas coisas nefastas.Uma delas é ter de me habituar novamente a deitar cedo. Nem sempre é fácil e o calor que se tem sentido durante a noite não me deixa adormecer à hora desejada.Outra é ter uma preocupação enorme com a Ana que tem ficado por casa acompanhada "apenas" pelo Joey (o nosso coelho anão) e pela Nô em espírito.
Ela tem lidado bem com a situação e mais uma vez demonstra uma coragem e força brutal!
E tem escrito umas coisas giras também. Hoje fui eu o contemplado no seu blog.Quem ainda não viu que espreite aqui: http://ourmadworld.blogspot.pt/2013/07/querida-nono-8-o-teu-papa.html
Posto isto vou terminar este post rápido (prometo que escrevo algo com mais conteúdo amanhã) com uma música que me diz muito.
Beijos e abraços,AF

Cyrus Jones 1810 to 1913Made his great grandchildren believeYou could live to 103A hundred and three is forever when you're just a little kidSo, Cyrus Jones live forever
GravediggerWhen you dig my graveCould you make it shallowSo that I can feel the rainGravedigger
Muriel Stonewall 1903 to 1954She lost both of her babies in the second great warNow, you should never have to watch as your only children are lowered in the groundI mean - never have to bury your own babies
GravediggerWhen you dig my graveCould you make it shallowSo that I can feel the rainGravedigger
Ring around the roseyPocket full of poseyAshes to ashes{Musical intro}We all fall down
GravediggerWhen you dig my graveCould you make it shallowSo that I can feel the rainOh Gravedigger
Little Mikey Carson '67 to '75He rode his bike like the devil until the day he diedWhen he grows up he wants to be Mr. Vertigo on the flying trapezeOh, 1940 to 1992--
GravediggerWhen you dig my gravecould you make it shallowSo that I can feel the rain
GravediggerWhen you dig my graveCould you make it shallowSo that I can feel the rainSo that I can feel the rain

Gravedigger
When you dig my graveCould you make it shallowSo that I can feel the rainGravediggerGravedigger

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Coragem?

Olá pessoal.

Hoje não escrevo directamente para a Leonor.

Falo para todos os que dão enorme prazer em me ler. Acreditem que tiro mais prazer de ter tantos leitores e pessoas a comentar do que vocês tirarão em ler-me. :)

Posto isto vou abordar um tema que tenho pensado muito em como havia de fazê-lo.

Muitos elogiam a nossa coragem de ter enfrentado a situação da forma mais positiva possível.

Eu acho que todos somos "vítimas" das circunstâncias. Acredito mesmo que qualquer pai confrontado com a nossa situação iria sentir-se perante duas escolhas: colocar a vida em pause e fazer o luto de forma mais introspectiva; ou avançar com a vida e ter uma atitude positiva fazendo os possíveis que toda a gente tivesse uma recordação positiva da Nô.
Sinceramente acho que é a segunda hipótese que a Nô escolheria para o pai.

Aqui em casa não há heróis. Há apenas alguém que decidiu ser feliz. Aproveitar todos os segundos da vida com um sorriso nos lábios (apesar de assumir que nem sempre vivo assim). Olhar para a Natureza e em todas as coisas imaginar que a Nô nos está a mandar mensagens bonitas.

Acredito mesmo que ser feliz é uma opção.

Já acreditava antes da Nô ter nascido, mas a Leonor deu-me o seu exemplo de vida para acreditar mesmo nisso.

Pela Leonor, sejam felizes.

“you never know how strong you are... until being strong is the only choice you have.”

Beijos e abraços,
AF

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Saudades

Nô...

Após ter passado uns dias de descanso com a tua mãe e, apesar de te sentir sempre próxima, sinto muitas saudades tuas...

Mas eu estou bem. Um dia vamos nos reencontrar. Tenho a certeza disso.

Mas só daqui a muito tempo, espero! Tu esperas. Eu sei.

Beijo grande que nunca te dei.
AF

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Uma semana

Olá Nôzinha.

Faz hoje uma semana do pior dia da minha vida.
Deixaste-nos “orfãos” com a tua ida e muito atrapalhados com o que fazer depois.
Felizmente para nós (e penso que para ti também) acabamos por reagir bem à perda e agora, passando uma semana, podemos sorrir quando nos lembramos de ti.

Ajuda muito sentirmos-te em toda a parte. Ajuda muito saber que não sofreste. E ajuda muito saber que estás num sítio melhor.

Também ajuda muito ver muita gente a fazer coisas positivas porque se lembram de ti. Aproveitam a vida para amar. Nós incluidos.

Passado uma semana eu e a tua mãe estamos melhor do que as circustâncias sugeriam. E isso é bom para nós e, acredito, para ti também.

Um beijo muito grande minha borboleta branca.
AF

(PS: surgiu no facebook aquando da morte da Nô um grupo que pretende honrá-la angariando fundos para entregar a uma IPSS em nome da Nô. O grupo tem sido gerido pela Catarina (catarinafilipe@gmail.com) que tem sido incansável a gerir a angariação. Resta dizer que o valor já ultrapassa os 700€ e quem quiser contribuir que envie um email à Catarina que ela explica tudo. Obrigado.)

terça-feira, 2 de julho de 2013

Recarregar baterias

Olá Nôno.

Como estás hoje? Sabes porque te pergunto isso?
É que eu e a tua mãe sentimos-te no vento e hoje, uma noite particularmente ventosa, deves estar chateada com alguma coisa...
Foi o Tiago (o vizinho no cemitério)? Que fez ele?
Olha que apesar de estares inacessível a nós, meros mortais, continuas a ser a filhinha do papá. Um papá superprotector.
Mas tu já provaste que sabes tomar bem conta de ti própria. :) Tenho de continuar a confiar em ti.

Sabias que já imprimimos algumas fotos tuas e já compramos molduras para por na parede da entrada de casa? Acho que vai ficar fixe! Vais ficar juntinha a muitos amigos e família que prometeram nunca se esquecerem de ti. :)

Anyway... amanhã eu e a tua mãe vamos sair de casa por uns dias. Vamos recarregar baterias.
Vamos namorar um bocadinho porque também merecemos.
Como disse a tua mãe aqui, esta é a primeira semana deste ano em que tu não vais ter nenhum contacto físico connosco. Claro que é inevitável pensarmos em ti. É impossível não pensarmos.
Mas sabes uma coisa? Agora já não ficamos tristes. Queríamos-te aqui, óbvio. Mas sentimos mesmo a sério que estás num sítio muito bom para ti. Longe de sofrimentos. Longe de pessoas más.
E se a ideia é, no "além", revivermos a nossa vida do ponto de vista próprio e do ponto de vista das pessoas em que "tocaste" então tenho a certeza que tens uma vida eterna muito agradável. :)

Como vamos para fora, não vamos conseguir manter a visita diária à tua campa... Mas prometemos que assim que voltarmos a primeira coisa que vamos fazer é visitar o "teu jardim". Cheio de flores. Relva. Borboletas brancas e de todas as cores. Passarinhos a cantar. E a "tua" brisa que nos bate na cara e nos enche o coração.

Entretanto já aprendeste a música que a tia Moon te deixou?
Então aqui vai uma ajuda para depois no sábado lhe mostrares que já sabes esta e estás pronta para outra!


Beijos enormes minha linda!
AF

sábado, 29 de junho de 2013

A tua história

Nô.

Esta história não é da minha autoria. Tu sabes. Ontem a tua amiga Ana (a autora) leu-a para ti junto à tua campa.
Mas não te importas que partilhe com o resto dos teus amigos que não ouviram, pois não?

Sinto que não.

"Querida Nô, sabias que a tua mamã adora histórias de embalar? Quando éramos mais novas, aninhadas na cama, eu ia falando baixinho, lengalengando, enquanto o João Pestana a levava pelos sonhos. Suponho que os sonhos embalados em histórias são sonhos leves, luminosos, risonhos, felizes. Hoje a história é para ti. O teu sonho será um sonho feliz, ouve com atenção. Estás aninhada no colinho da mamã, o papá está mesmo em frente e, transportada pelo vento, entra pela janela o sussurro da história que te conto, em pezinhos de lã, e diz assim…

Era uma vez uma menina pequenina. Tão pequenina que cabia na imaginação. Nessa altura, a menina pequenina saltava de trampolim em trampolim, entre nuvens imaginárias. Um dia lá estava ela, de vestido verde, estampado com as flores que enchem os montes na primavera. No dia seguinte, deitada no jardim, ouvia as andorinhas cantar e espreitava, por entre as árvores, o sol a raiar. Na outra nuvem, baloiçava rio abaixo e sentia a brisa fazer-lhe cócegas, zumbindo entre o cabelo e o pescoço. Até que, um dia, o salto foi tão grande, tão grande, que tropeçou e caiu numa grande barriga. Assustada, a menina pequenina aninhou-se a um canto. Tudo era novo ali. Até que, de surpresa, no meio do silêncio, ouviu ao longe alguém a falar. Era uma voz que ecoava por entre o lago onde boiava. No início não entendia… soava-lhe tão diferente do zumbido do vento, do canto das andorinhas, da água do rio. Mas era uma voz doce, que ao mesmo tempo que a despertava, lhe fazia vibrar o corpo. Com o tempo, a menina pequenina deixou de se sentir assustada. Agora, curiosa, tentava perceber o que acontecia para além daquela barriga. Ela não sabia que, quando o seu corpo dançava num turbilhão, alguém cá fora brincava com um coelhinho, correndo de um lado para o outro. Não sabia que, quando de repente a barriga se enchia de um perfume frutado (que ela tanto gostava), era porque alguém tinha comido maçãs. Não sabia que, quando a barriga a fazia saltitar lá dentro, alguém cá fora ria. Era tão bonito viver na barriga. O que ela estranhava era aquela palavra que às vezes ouvia, ‘amor’, e com a qual a barriga estremecia. O que seria aquela palavra, que deixava a barriga num ambiente sereno, prazeirento e seguro? Nessas alturas, a menina pequenina sorria e o seu coração batia mais depressa. Aquela palavra devia ser especial, pensava.

Um dia, a menina pequenina cresceu e deixou de caber na imaginação. Num ápice, a barriga deixou de ser um lugar escuro e a menina deu por si envolta num banho de luz. Foi como se as folhas se tivessem afastado, deixando passar todos os raios que, antes, tinha visto procurar caminho entre as árvores do jardim. Quando finalmente a luz esmoreceu, a menina sentiu o seu peito encher-se de ar. Que liberdade!, gritou para o céu! Foi como se tivesse, novamente, a saltar de trampolim em trampolim, pelas nuvens.

Mas fazia frio ali… e, à sua volta, eram todos tão grandes! Lembravam-lhe Gulliver, um menino que um dia fora pequenino mas que, havia crescido tão depressa, tão depressa, que rapidamente caíra da imaginação abaixo. Os gigantes não tardaram a envolver a menina numa manta, que ficou arranjada de tal maneira que lhe fez lembrar um casulo de borboleta. Depois, aconchegaram-na numa casinha quentinha e levaram-na num passeio. Subiram para tão alto, tão alto, que a menina conseguia ouvir as andorinhas que voavam lá em cima, entre as nuvens.

Quando deu conta, havia dois grandes pares de olhos a admirá-la. Eram os olhos mais ternurentos que alguma vez vira. Castanhos, pestanudos, cheios de esperança e de ternura, olhavam-na com um carinho tal que o seu coração, envergonhado, palpitou tão depressa quanto daquela vez, na barriga. Seria aquilo o significado da palavra amor?, sorria. Aqueles olhos não tardariam a montar plantão junto ao seu casulo. Sentia-se tão segura e protegida que o seu peito se enchia de uma serenidade nunca antes experienciada.

Um dia, um daqueles pares de olhos recolheu-a e envolveu-a no seu colo. Havia um cheiro a maçã no ar. O outro olhar, apoiado no alto da montanha, foi de encontro aos seus olhos e, numa comunicação muda, a menina soube que podia adormecer descansada. Agora sabia o que era o amor.

Os olhos humedeceram, refletindo a imagem da menina, guardando-a para sempre. Enquanto isso, já a menina saltava de trampolim em trampolim, entre as nuvens esponjosas, branquinhas e angelicais.

Ouvia-se, ao longe, o vento assobiar entre as árvores do jardim. As andorinhas cantavam as baladas de verão. Os campos estavam repletos de flores. E a menina pequenina era feliz."

Desculpa Nô se eu fiz algo de errado para que a tua história seja tão curtinha...

Beijo enorme do teu papá,
AF

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Amigos

Olá Nô!

Como estás? Achas que o teu corpinho gostou do sítio onde ficou? Eu acho que gostas.
Tem relvinha, tem passarinhos a cantar, tem uma árvore para te dar sombra.
E ficaste lá com muitas flores!

Viste a quantidade de amigos e família que te foi ver? Gostaste da cerimonia? Acho que foi bonita.

Desculpa o papá e a mamã não terem tido a coragem de te ver pela última vez. Acho que compreendes. Para nós tu já não estás ali. Aquele era um corpo que tu usaste para chegar a muitas pessoas! Tinhas uma alma muito maior que aquele teu corpo permitia albergar.

Mas voltando ao assunto do titulo do post - os amigos.

Tens tanta gente que gosta de ti! Não consigo enumerar nem nomear todas as pessoas que foram despedir-se de ti. E sabes o que lhes disse quando eu me despedi das pessoas? Que não se esquecessem de ti.

Foste um exemplo brutal de viver. Como disse à tua mãe durante o funeral e pegando nas palavras do padre - "Não importa quanto se vive. Importa é como se vive."

E espero que os teus amigos vejam isso. Eu e a tua mãe conseguimos ver isso bem agora.

Ainda não conseguimos bem alcançar qual foi a tua razão maior de teres vindo e partido cedo demais... Mas já percebemos muitos ensinamentos que nos deste.

O teu pai foi muito forte durante o funeral. Não se foi abaixo e ajudou a mãe nos momentos em que ela esteve mais em baixo. E falou contigo quando esteve a vacilar. Estás orgulhosa do teu pai?
Espero que sim.

Beijinhos princesa Leonor.
AF